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Leitura da segunda carta de São Paulo
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aos Coríntios. Irmãos, será que é
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preciso gloriar-me? Na verdade, não
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convém. No entanto, passarei a falar das
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visões e revelações do Senhor. Conheço
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um homem unido a Cristo, que há 14 anos
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foi arrebatado até o terceiro céu. Se
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ele foi arrebatado com o corpo ou sem o
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corpo, eu não sei. Só Deus sabe. Sei que
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esse homem, se com o corpo ou sem o
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corpo, não sei, Deus o sabe, foi
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arrebatado ao paraíso e lá ouviu
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palavras inefáveis que nenhum homem
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consegue pronunciar. Quanto a esse
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homem, eu me gloriarei, mas quanto a mim
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mesmo, eu não me gloriarei, a não ser
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das minhas fraquezas. No entanto, se eu
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quisesse gloriar-me, não seria
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insensato, pois só diria a verdade. Mas
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evito gloriar-me para que ninguém faça
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de mim uma ideia superior àquilo que vem
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em mim ou que houve de mim. E para que a
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extraordinária grandeza das revelações
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não me ensoberbecesse, foi espetado na
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minha carne um espinho, que é como um
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anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim
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de que eu não me exalte demais. A esse
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propósito, roguei três vezes ao Senhor
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que o afastasse de mim, mas ele
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disse-me: "Basta-te a minha graça, pois
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é na fraqueza que a força se manifesta.
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Por isso, de bom grado, eu me gloriarei
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das minhas fraquezas, para que a força
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de Cristo habite em mim. Eis porque eu
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me comprazo nas fraquezas, nas injúrias,
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nas necessidades, nas perseguições e nas
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angústias sofridas por amor a Cristo.
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Pois quando eu me sinto fraco, é então
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que sou forte. Palavra do Senhor. Graças
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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo
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segundo São Mateus. Glória a vós,
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Senhor. Naquele tempo, disse Jesus a
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seus discípulos: "Ninguém pode servir a
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dois senhores, pois ou odiará um e amará
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o outro, ou será fiel a um e desprezará
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o outro. Vós não podeis servir a Deus e
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ao dinheiro. Por isso vos digo, não vos
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preocupeis com a vossa vida, com que
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havereireis de comer ou beber, nem com o
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vosso corpo, com que havereireis de
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vestir. Afinal, a vida não vale mais do
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que o alimento, e o corpo mais do que a
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roupa. Olhai os pássaros dos céus. Eles
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não semeiam, não colhem, nem ajuntam em
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armazéns. No entanto, vosso Pai, que
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está nos céus os alimenta. Vós não
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valeis mais do que os pássaros? Quem de
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vós pode prolongar a duração da própria
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vida só pelo fato de se preocupar com
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isso? E por que ficais preocupados com a
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roupa? Olhai como crescem os lírios do
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campo. Eles não trabalham nem fiam.
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Porém, eu vos digo, nem o rei Salomão,
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em toda sua glória jamais se vestiu como
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um deles. Ora, se Deus veste assim a
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erva do campo, que hoje existe e amanhã
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é queimada no forno, não fará ele muito
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mais por vós, gente de pouca fé?
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Portanto, não vos preocupeis, dizendo:
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"O que vamos comer? O que vamos beber?
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Como vamos nos vestir?
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Os pagãos é que procuram essas coisas.
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Vosso Pai que está nos céus sabe que
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precisais de tudo isso. Pelo contrário,
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buscai em primeiro lugar o reino de Deus
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e a sua justiça, e todas estas coisas
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vos serão dadas por acréscimo. Portanto,
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não vos preocupeis com o dia de amanhã,
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pois o dia de amanhã terá suas
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Para cada dia bastam seus próprios
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Palavra da salvação. Glória a vós,
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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
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imaginem um funâmbolo caminhando sobre
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uma corda bamba suspensa a grande
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altura. Seus passos são cautelosos,
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medidos, cada movimento calculado com
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precisão. Ele não pode olhar para os
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lados nem para baixo. Deve manter seus
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olhos fixos no ponto de chegada. Uma
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pequena distração, um momento de
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desequilíbrio e tudo pode terminar em
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queda. Esta imagem nos oferece uma
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janela para compreender as tensões
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espirituais que as leituras de hoje nos
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apresentam. O delicado equilíbrio entre
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a grandeza e a fragilidade, entre as
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revelações celestiais e as preocupações
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terrenas. Na primeira leitura, São Paulo
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nos convida para dentro de uma
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experiência extraordinária e, ao mesmo
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tempo, profundamente pessoal. Ele fala
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de um homem, sabemos que é ele mesmo,
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que foi arrebatado até o terceiro céu,
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que ouviu palavras inefáveis que não é
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lícito ao homem repetir. Que experiência
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incrível. Imaginem por um momento, estar
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na presença direta de Deus, experimentar
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a glória celestial de forma tão intensa
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que nem mesmo as palavras humanas
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conseguem descrevê-la. Mas aqui está o
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paradoxo fascinante. Paulo não se
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vanglia desta experiência
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extraordinária. Em vez disso, ele
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escolhe se gloriar em suas fraquezas.
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Portanto, de boa vontade me gloriarei
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antes nas minhas fraquezas, para que em
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mim habite a força de Cristo. Que
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declaração revolucionária.
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Por que Paulo faz essa escolha
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aparentemente contraditória? Porque ele
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entendeu algo profundo sobre a natureza
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da vida espiritual. Ele recebeu um
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espinho na carne, uma aflição que o
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mantinha humilde, que o lembrava
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constantemente de sua dependência de
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Deus. Três vezes ele orou para que esta
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provação fosse removida. E três vezes
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Deus respondeu: "Basta-te a minha graça,
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porque é na fraqueza que se revela
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totalmente a minha força. Que lição
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poderosa para nós. Vivemos em uma
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cultura que exalta a força, o sucesso, a
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independência. Somos ensinados a
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esconder nossas fraquezas, a projetar
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uma imagem de competência e controle.
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Mas Paulo nos mostra um caminho
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diferente. Ele nos ensina que é
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precisamente nossa fragilidade que o
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poder de Deus se manifesta mais
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claramente. Pensem por um momento em
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suas próprias vidas. Quais são os
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espinhos na carne que vocês carregam?
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Talvez sejam limitações físicas, lutas
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emocionais, desafios relacionais ou
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circunstâncias difíceis que parecem não
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ter solução. Paulo nos convida a ver
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estes espinhos não como obstáculos ao
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nosso crescimento espiritual, mas como
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oportunidades para experimentar a graça
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suficiente de Deus. Quando reconhecemos
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nossas limitações e dependemos
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completamente de Deus, abrimos espaço
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para que seu poder opere através de nós
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de maneiras que jamais imaginaríamos
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possíveis. É como um vaso rachado que,
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em vez de esconder suas fissuras,
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permite que a luz passe através delas,
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criando um padrão belo e único. Agora,
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voltemos nosso olhar para o evangelho,
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onde Jesus nos apresenta outra tensão
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fundamental da vida cristã, a escolha
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entre servir a Deus ou as riquezas.
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Ninguém pode servir a dois senhores",
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Jesus declara categoricamente.
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Esta não é uma sugestão ou uma
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recomendação, é uma declaração de
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impossibilidade espiritual. Jesus usa a
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palavra mamon, um termo aramaico que
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personifica as riquezas como uma
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divindade rival. Ele está nos dizendo
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que o dinheiro e as posses materiais não
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são neutros. Eles exercem uma força
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quase espiritual em nossas vidas,
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competindo por nossa lealdade e devoção.
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Mas Jesus não para por aí. Ele continua
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com uma série de ensinamentos sobre a
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ansiedade que nos toca no âmago de nossa
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experiência humana. Não vos preocupeis
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com vossa vida, com o que havis de comer
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ou beber, nem com vosso corpo, com o que
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havis de vestir. A primeira vista, estas
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palavras podem parecer irrealistas,
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especialmente em tempos de dificuldade
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econômica, desemprego ou incerteza. Como
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não nos preocuparmos com necessidades
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básicas como comida e vestuário? Jesus
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está nos pedindo para sermos
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Absolutamente não. Jesus está nos
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convidando a uma perspectiva
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radicalmente diferente sobre a vida. Ele
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usa exemplos da natureza, os pássaros do
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céu e os lírios do campo, para ilustrar
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uma verdade profunda sobre a providência
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divina. Os pássaros não plantam nem
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colhem, mas são alimentados pelo Pai
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Celestial. Os lírios não trabalham nem
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fiam, mas são vestidos com a beleza que
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supera a glória de Salomão. A questão
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não é que devemos parar de trabalhar ou
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de nos planejar. A questão é onde
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colocamos nossa confiança última.
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Colocamos nossa confiança em nossa
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própria capacidade de controlar e prover
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ou confiamos no Deus que conhece nossas
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necessidades antes mesmo de as pedirmos?
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Jesus termina com uma frase que deveria
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ser escrita em nossos corações: "Buscai
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primeiro o reino de Deus e a sua
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justiça, e todas essas coisas vos serão
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dadas por acréscimo."
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Aqui está a chave para resolver tanto o
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paradoxo de Paulo quanto dilema das
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preocupações que Jesus apresenta. Quando
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buscamos primeiro o reino de Deus,
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quando fazemos de nossa relação com Deus
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a prioridade suprema, tudo mais encontra
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seu lugar adequado. Isto não significa
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que nunca enfrentaremos dificuldades ou
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que todas as nossas necessidades
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materiais serão automaticamente supridas
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da maneira que esperamos. Paulo
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certamente enfrentou muitas privações em
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sua vida missionária, mas significa que
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quando nossa identidade e segurança
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estão enraizadas em Deus, podemos
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enfrentar tanto abundância quanto a
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escassez com economimidade. Meus
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queridos irmãos e irmãs, como aplicamos
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estas verdades profundas em nossa vida
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diária? Como vivemos este equilíbrio
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delicado entre reconhecer nossas
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fraquezas e confiar na providência de
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Deus? Primeiro, precisamos abraçar
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nossas limitações com a mesma
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honestidade corajosa de Paulo. Em vez de
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esconder nossas lutas ou fingir que
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temos tudo sob controle, podemos
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reconhecer abertamente nossas
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necessidades e vulnerabilidades.
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Isto não é sinal de fraqueza espiritual.
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É o primeiro passo para experimentar o
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poder transformador de Deus.
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Segundo, precisamos cultivar uma
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perspectiva eterna. Quando estamos
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constantemente focados apenas nas
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preocupações imediatas, contas a pagar,
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problemas de saúde, relacionamentos
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difíceis, perdemos de vista a imagem
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maior do que Deus está fazendo em nossas
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vidas e no mundo. Como Paulo, que teve
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uma visão do terceiro céu, precisamos
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regularmente levar nossos olhos para
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além das circunstâncias presentes.
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Terceiro, devemos praticar a confiança
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diária. Assim como Jesus nos ensinou a
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orar, o pão nosso de cada dia nos dai
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hoje, precisamos desenvolver o hábito de
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entregar nossas preocupações a Deus a
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cada manhã, escolhendo confiar em sua
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providência para o dia que está à
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frente. Quarto, precisamos redefinir
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nosso conceito de força e sucesso. Em um
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mundo que mede valor por realizações e
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acumulações, somos chamados a valorizar
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coisas como dependência de Deus, serviço
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aos outros, integridade de caráter e
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crescimento espiritual. Finalmente,
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devemos buscar primeiro o reino de Deus,
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não apenas como uma prática espiritual
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individual, mas como uma orientação de
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vida que influencia todas as nossas
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decisões. Isto significa perguntarmos
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constantemente como esta escolha reflete
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os valores do reino? Como esta decisão
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contribui para a justiça e o amor de
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Deus no mundo. Imaginem como seria a
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nossa vida se verdadeiramente vivêssemos
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estes princípios. Em vez de sermos
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consumidos pela ansiedade sobre o
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futuro, poderíamos viver com uma paz
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profunda, sabendo que estamos nas mãos
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de um Deus amoroso. Em vez de esconder
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nossas fraquezas, poderíamos ser
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transparentes e vulneráveis, criando
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espaço para que o poder de Deus se
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manifeste através de nós. Em vez de
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correr atrás de segurança material ou
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status social, poderíamos nos concentrar
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em construir relacionamentos
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significativos e contribuir para a
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transformação do mundo ao nosso redor.
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Em vez de nos sentirmos sobrecarregados
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pelas responsabilidades da vida,
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poderíamos experimentar a liberdade que
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vem de saber que não temos que carregar
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todos os fardos sozinhos. Queridos
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irmãos e irmãs, hoje somos convidados a
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dar um passo de fé, um passo de
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confiança na suficiência da graça de
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Deus, um passo de priorização do reino
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sobre nossas preocupações terrenas, um
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passo de reconhecimento de que nossa
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fraqueza pode ser o portal através do
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qual o poder de Deus se manifesta. Como
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aquele funâmbolo na corda bamba, não
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podemos olhar para os lados ou para
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baixo, focando em nossos medos e
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limitações. Devemos manter nossos olhos
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fixos em Jesus, o autor e consumador de
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nossa fé, confiando que ele nos
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sustentará a cada passo da jornada. Que
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a graça de nosso Senhor Jesus Cristo
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seja suficiente para vocês. Que sua
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força se aperfeiçoe em sua fraqueza e
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que buscando primeiro o reino de Deus,
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vocês descubram que todas as outras
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coisas, paz, propósito, provisão, são
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acrescentadas por sua mão amorosa. Que o
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Deus de toda graça, que nos chamou a sua
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eterna glória em Cristo, depois de
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havermos sofrido um pouco, ele mesmo nos
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aperfeiçoe, confirme, fortaleça e
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estabeleça. A ele seja a glória e o
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poder para todo sempre. Amém.
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São Miguel Arcanjo, defendei-nos no
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combate. Sede o nosso refúgio contra as
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maldades e ciladas do demônio.
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Ordene-lhe Deus, instantemente o
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pedimos. E vós, príncipe da milícia
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celeste, pela virtude divina, precipitai
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no inferno a Satanás e aos outros
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espíritos malignos que andam pelo mundo
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para perder as almas. Amém.